terça-feira, 9 de março de 2010

Dias 5, 6, 7, 8 e 9/03/10 – Carreteira Austral

No dia 5 viajamos até Puyuhapi, cidade mais próxima do Ventisquero Colgante (glacial pendurado), continuando na direção norte da Carreteira. No dia 6 visitamos o Glacial com uma caminhada de intensidade média de 2,5h.





No dia 7 viajamos para Chaitén, a nossa última cidade da Carreteira Austral. A cidade foi arrasada pelo Vulcão Chaitén em 2008. Ocorreram mais de 300 tremores e após uma explosão a cidade foi encoberta por mais de um metro de altura de cinza. A maior parte das casas estão abandonadas e uma pequena parcela da cinza vulcânica foi removida, permanecendo ainda encoberta. A cidade reduziu de 7.000 habitantes para 300. Acreditamos que as pessoas que vivem na cidade resistem ao governo que está inibindo a ocupação por tratar-se de uma área de risco. A energia elétrica não foi restabelecida e é obtida por geradores. Não tínhamos idéia de quão impactante seria o cenário que veríamos. Sabíamos que teve uma erupção vulcânica, mas não podíamos imaginar o cenário atual. Foi impressionante ver as casas cobertas pela metade com cinza vulcânica. Casas inteiras foram levadas pela força da água associada às cinzas.











No dia 8 pretendíamos fazer uma caminhada até a base do vulcão. Conversamos com dois guias de caminhada e as orientações foram muito distintas.Um dizia que era seguro e outro que não. Face à incerteza e ao grau de risco, resolvemos não fazer. Fomos de carro até a estrada de acesso a trilha e quando chegamos lá nos deparamos com uma placa enorme dizendo que o risco é grande e que o vulcão está ativo. Se passássemos estaríamos violando as orientações de segurança, ou seja poderíamos ser presos.
A partir deste momento começou a fazer sentido do porque do abandono da cidade, o grau de risco. Saímos sem entender muitas coisas como por exemplo, já que o grau de risco é tão grande, porque então fazer a travessia da balsa por este ponto (é necessário dormir na cidade para pegar a balsa, a cidade mais próxima fica a 3 horas). Ficamos contentes em sair da cidade. Também, ficamos com dó das pessoas que ainda residem lá, isoladas. Entendemos que é uma opção delas.





No dia 9 pretendíamos ir para a ilha de Chiloé, mas houve um problema mecânico com o navio, atrasando para o dia seguinte a saída. O representante da Navieira Austral não nos deu certeza da saída no dia seguinte. Face à incerteza e o risco do vulcão, resolvemos fazer a volta de carro. Na saída de Chaitén o céu estava limpo e foi possível visualizar a fumaça gerada pelo vulcão. Dormimos em Bariloche.



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flbaguiar@yahoo.com.br

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dias 02, 03 e 04/03/10 – Carreteira Austral

Ainda na Carreteira Austral, no dia 02 fizemos um rafting nível 3 nas águas turquesas e absolutamente transparentes do Rio Baker. Viajamos para Puerto Tranquilo e no final do dia fizemos um passeio de barco na capela de mármore, uma formação de mármore erodida pelas águas do Lago General Carrera.

Lodge onde passamos a noite, na beira do Rio Baker


Rafting






Capela de Mármore






No dia 03 fizemos mais uma caminhada sobre um glacial. Desta vez fomos ao Glacial dos Exploradores numa geleira que está em retrocesso, vizinha ao Campo de Gelo Norte. Na sua formação o glacial empurrou os morros da região e no retrocesso inúmeros blocos de rocha se depositaram sobre o gelo. Foram seis horas de caminhada dos quais 2,5h foram sobre o gelo e o restante sobre as pedras depositadas no glacial. Foi diferente da caminhada sobre o Glacial Perito Moreno, com muito mais formações no gelo como túneis, pontes e sumidouros, mas as formações não tinham as cores azuis marcantes do Perito Moreno.







Glacial ao fundo e atrás Campo de Gelo Norte














No dia 4 viajamos até Coyhaique, continuando na direção norte da Carreteira. Essa é a maior cidade da região e finalmente tivemos acesso à internet para atualizar o blog.

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Dias 25, 26, 27e 28/02 e 01/03/10 – Carreteira Austral

No dia 25 acordamos cedo e fomos ao Posto de Gasolina para abastecer e ainda não tinha combustível. Felizmente, em menos de uma hora estávamos abastecendo e seguimos viagem para Perito Moreno.
Chegamos a Perito Moreno no fim do dia. Escolhemos esta cidade para visita a “Cuevas de las Manos”, local onde estão as inscrições rupestres mais expressivas da Patagônia Argentina.
A cidade de Perito Moreno não tinha bons hotéis e optamos por dormir na fazenda próxima ao local das inscrições. No dia seguinte fizemos uma caminhada de 1 hora onde atravessamos o cânion onde a caverna está localizada. As inscrições são lindas e o entorno também !!!
No fim do dia 26 viajamos até Los Antiguos, uma pequena cidade antes da fronteira com o Chile. Um local bem arborizado onde há várias chácaras para visitação e degustação das frutas da estação.

Estancia Cueva de las Manos
















Los Antiguos




No dia 27 chegamos ao Chile, viajamos por mais 128 km para chegar à Carreteira Austral e depois dirigimos até a cidade de Cochrane, na região extremo-sul do país. As paisagens da estrada são espetaculares, de cinema. Há glaciares, lagos, rios e muita estrada de terra.
Durante a madrugada, antes de sairmos da Argentina, ocorreu o terremoto na região centro-sul do Chile, um fato muito triste. Felizmente estávamos longe da região do terremoto. Mesmo assim, nos comunicamos com as famílias.











No dia 28 fomos ao parque Tamango e fizemos uma caminhada de 2,5h onde foi possível avistar Cervo(Veado Andino) e Pica-pau. No fim do dia fomos até Caleta Tortel, mais ao sul, uma cidade sobre passarelas de madeira.
À noite fomos telefonar em um locutório, no único telefone do povoado. Como não tem iluminação pública e havia uma grande fila para usar o telefone, retornamos num verdadeiro breu, sobre passarelas e escadarias em um longo percurso.









No dia seguinte (1/3/10, março!) percorremos as inúmeras passarelas da Caleta Tortel que perfazem 7 km com muitas escadas, praças, escola e prefeitura em uma caminhada de 1 hora de ida. No dia havia um cruzeiro da França com pessoas de mais idade e com dificuldade de andar devido aos inúmeros degraus. É impressionante, a cidade vive sobre passarelas !!!
Fomos até Puerto Bertrand para fazermos no dia seguinte um rafting em rio com água de degelo de cor turquesa. Ficamos em um lodge à beira do Rio Baker e na água transparente era possível ver trutas do quarto. Quando chegamos o empregado do lodge estava pescando da sacada da recepção. Este trabalho é ideal para quem gosta de pescar.









Observações sobre a região da carreteira austral:
- composta por povoados, 300 habitantes no máximo;
- tem somente um telefone por cidade, não há internet e algumas cidades têm caixa eletrônico, outras não (planejamento é inevitável);
- em Tortel, o combustível é vendido por cotas no mercado (não há posto de gasolina e nem caixa eletrônico);
- todas as estradas são de terra (muito pó !) e com vistas espetaculares (rios e lagos de cor turquesa, morros nevados e parques). Também são perigosas, o povo local dirige em alta velocidade em trechos estreitos e cheios de curvas, estamos sempre atentos (direção defensiva);
- IDEAL PARA PESCAR, há muitos guias de pesca e cabanas para pescadores;
- os hotéis não têm chaves nos quartos, a segurança é ótima (colocamos cadeira atrás da porta);
- deve fazer muito frio no inverno, cada cama tem em média 4 cobertores;
- para comer há 2 opções, no máximo;
- as informações turísticas são escassas.

Em todo o percurso da viagem usamos muito pouco o cartão de crédito, não aceitam. Também, os poucos locais que aceitam, tem acréscimo de 10%. Não tivemos problemas quanto aos saques em caixas eletrônicos e até o momento somente tivemos problemas com combustível na Argentina em Puerto San Julián, a causa provável foi de boicote no fornecimento visando o aumento do combustível ou falta de pagamento do dono do posto da cidade (único no raio de 120 km).

Observações sobre o terremoto:
- arrasou quase metade do Chile, a parte central e com maior atividade industrial;
- interceptou o país quanto ao transporte viário, dividiu em dois;
- a resposta do governo foi imediata e parece muito bem estruturada;
- até o momento não atingiu as demais áreas e há risco de falta de combustível;
- segundo especialistas do Chile, não há energia suficiente para novo terremoto desta magnitude. O último terremoto desta magnitude ocorreu em 1985. Portanto, a probabilidade de novo terremoto é mínima.

Alteração do roteiro da viagem devido ao terremoto:
- caso não haja falta de combustível, vamos continuar a subida pelo Chile até Pucón (vulcão Villarica, distante ainda em 200 km do início do trecho atingido pelo terremoto). Após desviaremos para a Argentina, evitando trafegar pelo trajeto afetado pelo terremoto e se possível, retornaremos ao Chile por Mendonza;
- na possibilidade de falta de combustível, teremos que ir para a Argentina de imediato, estamos distante em 200 km da fronteira (em média).

cintiaschultz@yahoo.com.br
flbaguiar@yahoo.com.br

terça-feira, 2 de março de 2010

ESTAMOS BEM !!!

Parentes e amigos

Agradecemos o carinho.
Estamos no extremo sul do Chile na Carretera Austral, muito distante do local do terremoto.
Nesta regiao a comunicaçao é limitada. Em geral, nas cidades há um telefone.
Acesso à internet somente conseguimos hoje.

Um grande abraço e quando possível atualizaremos o blog.
Visitamos lugares lindos e incríveis !!!

Cintia e Fernando